Não me olhe assim, com esses olhos de ressaca de quem se afogou numa vida amarga. Você equilibra o suicídio entre os dedos e as olheiras pesam e engasgam-se em suas muitas histórias para contar. E eu te almejo. Em um não almejar por ser bela, por ser triste. Por querer que complete o vazio que sinto em mim, nem porque meus monstros simpatizaram-se com os teus. Te almejo, te desejo, porque não posso tê-la. O meu sangue borbulha e faz rosas despetalarem, mas não é por isso que te quero. Te quero, e é um querer descontente. É duvidoso. Emaranhado de paradoxos. Te anseio porque um abismo nos separa e, você, do outro lado, me chamando vestida de branco, me convida a pular e, eu pulo, faço piruetas até. Não posso tê-la pois o destino debocha de nós. E você é essa família de pardais que habita em mim, e eles cantam minha vida com o caos do problema. Alto, eles cantam. Sem desafinar, eles continuam a cantar. E seus pequenos pulmões explodem de emoção quando começo a chorar, e eles rasgam e queimam em mim e eu rio, chorando. E choro por ser obrigado, e os suicidas se jogam do quinto andar porque são obrigados. A mulher que balança a cintura com graciosidade e vende seu corpo cheio de poesia, o faz, por obrigação. Somos marionetes do destino e ele ri, desdenhoso, de nós. Só os loucos me interessam, e seus cabelos despenteados e as unhas coloridas me fazem acolher sua loucura como minha. E eu poderia curar minha tontura apenas apoiando-me em ti, mas você não está lá. Embora tudo esteja escuro, consigo enxergar a sua monotonia exalando luzes dançantes nas paredes do meu eu. E atiro-me no abismo, e a gargalhada do destino é a dúvida que traz o comichão que sinto nas costas esperando que você esteja lá embaixo para sangrar comigo. "


— Escritor de Lanchonete.   (via oxigenio-dapalavra)

(Source: escritordelanchonete, via oxigenio-dapalavra)



821

(Source: justifica-dor, via aabandonada)


415


Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só…
"


Florbela Espanca (via oxigenio-dapalavra)

(Source: racionador, via oxigenio-dapalavra)



1824


Sentado num bar próximo a casa de Anne Frank. (Prinsengracht 263-267, 1016 GV Amsterdã, Holanda) Começam a tocar o Blues da Piedade. “Agora eu vou cantar pros miseráveis, que vagam pelo mundo derrotados…” Maldito Cazuza, lembrei das palavras que ela me disse pouco antes de partir. “Querido, sorte tem quem morre cedo. Encontra a tão sonhada paz deixando a agonia para trás, alcança a grandeza de espírito e não é mais obrigado a aturar esse mundo tão lotado de vazios. Coragem querido.” Dito isso, ela morreu em meus braços. Onde foi parar a piedade? Peço uma dose de whisky pra cada lágrima de saudade. "


Amsterdã, 1957.    (via oxigenio-dapalavra)

(Source: sereno, via oxigenio-dapalavra)



2226

mas ela é uma cópia. um reflexo de outras pessoas. ela sente o que tá na moda e veste a capa da revista. ela é complexa e cheia de problemas, mas não quer resolve-los. não insista. não tem nada lá pra ser visto. tente toca-la e sua mão a atravessa. ela não é espessa, mas diz ser fã de uma conversa. ela concorda e diz que chorou lendo a culpa é das estrelas. ela é só mais uma
mais uma daquelas que diz ser única
seu tipo preferido de mulher…
confessa.

(Source: nafaca, via oxigenio-dapalavra)


56

(Source: puro-a-mor, via aabandonada)


1849



(Source: cmbsff, via cuspindoodio)


8097

A esperança está em cada nascer do sol, em cada desabrochar de flor. No canto dos pássaros. No vento que balança os braços das árvores. A esperança está entre os passos, no reflexo dos olhos, no ar brejeiro que passeia nos pulmões. No entanto, esperança é um sentimento e sentimentos são coisas que brotam de dentro para fora. Se não está no coração não floresce em nenhum outro lugar. "


Docismo. (via marquinhoosmark)

(Source: docismo, via marquinhoosmark)



1623

adivinhadindi:

pois é

(via esturdia)


8654